O Pecado na Vida do Crente - Parte II
A. W. Pink
O Crente Não se Torna Desqualificado para Ir para o Céu
Cl. 1.12-13, “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”
Nenhum homem nascido de mulher vai para o céu através da sua própria justiça. Só podem ir para o céu os que foram feitos idôneos. Uma vez que homem não tem nenhuma justiça própria (Is. 64.6; Rm. 3.10), ele deve ser feito idôneo pela justiça de um outro. Dependendo das qualidades pessoais de quem o faz idôneo, o homem pode participar da herança dos santos na luz. Foi Deus, o Pai, quem nos fez idôneos para tal participação, nos tirando da potestade das trevas e nos transportando para o reino do Seu Filho (Cl. 1.12,13). Se for o próprio Deus quem fez essa obra, como alguém que não seja Ele pode desfazê-la (Jo. 10.29)?
A obra do Pai foi feita por Seu Filho Jesus Cristo. Cristo se ofereceu para sempre como sacrifício único pelos pecados. Pelo sacrifício de si mesmo, Cristo aperfeiçoa para sempre os santificados (Hb. 10.12-14). Como é que um aperfeiçoado não conhecerá o lugar onde não há nada que o contamine (Ap. 21.27)? A herança dada por Jesus Cristo é incorruptível, incontaminável, não pode murchar (I Pe. 1.3-5) e de maneira nenhuma o Cristão se tornará desqualificado para o céu (Jd. 1.1,24).
A obra de Deus feita pelo sangue de Cristo tirou toda a condenação de todo o pecado do crente (Ap. 1.5). Com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, fomos resgatados (I Pe. 1.18,19),e, por isso iremos ao Pai (Jo. 14.6).
A obra que Deus faz é perfeita. É tão perfeita que desde a eternidade Deus conhece o fim da Sua obra. Por isso, o Espírito Santo inspirou o Apóstolo Paulo a escrever que os santificados que Cristo aperfeiçoou (I Co. 6.11) serão verdadeiramente glorificados (Rm. 8.29,30). Não há dúvida nenhuma de que os que foram amados com amor eterno e atraídos com Sua benignidade (Jr. 31.3) estarão ao redor do Seu trono na glória (Rm. 8.17; Hb. 2.10). Pelo poder de Deus, os salvos entrarão na sua herança (At. 20.32).
Todavia, mesmo que o filho endureça o seu coração à correção que o Pai dá (Hb. 12.7), ele não se torna desqualificado para ir para o céu, contudo, pode ter a sua vida encurtada aqui na terra. Deus é glorificado quando os Seus dão frutos (Jo. 15.8) e os filhos de Deus que não se submetem à Palavra de Deus sofrem uma correção dura, até mesmo uma vida mais curta aqui na terra (I Co. 11.30; Sl. 38.3; 89.30-34), mesmo que as suas almas sejam salvas no último dia (Sl. 89.30-34; I Co. 3.15,16; 5.5).
A Solução para o Cristão não ter o pecado reinando em sua vida é ser vigilante em oração (I Pe. 4.7). É impossível para o Cristão que tem uma vida de oração ativa viver em pecado. Portanto, vigiai em oração. Ao lembrar-se das bênçãos que tem em Cristo, o filho verdadeiro purifica-se a si mesmo para ser como Cristo (I Jo. 3.3). Portanto, lembre-se constantemente das bênçãos que tem em Cristo. Uma obediência ativa à Palavra de Deus faz com que o Cristão evite de praticar o que não deve (Lc. 19.13; Ef. 2.10). Portanto, seja intensamente ativo na obra de Deus.
Em Resumo: Nenhum Cristão Nunca Vai para o Inferno para ser Eternamente Atormentado Pelo Seu Pecado
I Tm. 1.15, “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.”
O Apóstolo Paulo, pela inspiração do Espírito Santo, enfatizou que houve uma palavra fiel e digna de toda a aceitação. Essa palavra fiel era que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (I Tm. 1.15). Se apenas um, entre todos os milhões de pecadores salvos por Cristo Jesus, fosse para o inferno para ser eternamente atormentado, essa palavra não seria fiel nem digna de aceitação. Contudo, as Escrituras determinam que essa palavra é fiel e digna. Os pecadores em Cristo são salvos! A beleza do fato que Cristo é o Salvador dos pecadores é entendida quando se entende que Cristo não só veio para salvar os pecadores, mas que também é poderoso para conservá-los (Jd. 1.1, 24) e guardar o que é depositado nEle até o dia final (II Tm. 1.12). A certeza da salvação é baseada na pessoa e poder de Jesus Cristo. Como não há dúvida nenhuma de que o pecado destrói, incita medo, envergonha e engana, também não há dúvida nenhuma que Cristo pagou o preço inteiro para o crente ser apresentado perante a Sua glória irrepreensível e isso, com alegria (Rm. 5.6-8; Jd. 24). Graças a Deus pela palavra fiel e digna de toda a aceitação!
A paternidade que o filho de Deus tem por intermédio de Jesus Cristo é razão suficiente para assegurar que nenhum filho vai para o inferno. Pelo amor de Deus (I Jo. 4.19) e através da vontade de Deus Pai (Jo. 1.13) o crente é feito filho idôneo para participar da herança dos santos (Cl. 1.12). Há algo maior do que o Pai que possa modificar a vontade dEle (Dn. 4.35; Jo. 10.29)? Não!
A posição que o filho de Deus tem em Jesus Cristo é razão suficiente para afirmar que o crente não vai para o inferno para ser atormentado eternamente. Nenhum filho de Deus sofrerá no inferno, mas, estará onde Cristo estiver. Isso é tão confiável quanto a oração e a vontade de Jesus (Jo. 17.24; 14.1-6). Por causa de tal confiança, o Apóstolo João afirmou: “Amados, agora somos filhos de Deus” (I Jo. 3.2). Os verdadeiros Cristãos podem ter a mesma confiança. Sendo filhos, somos logo herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm. 8.17), Quem nos aperfeiçoou para sempre (Hb. 10.14). Por sermos nascidos filhos de Deus pela semente incorruptível, (I Pe. 1.23) temos a posição abençoada de filhos de Deus. Para estes não há nenhuma condenação (Rm. 8.1).
As bênçãos outorgadas por Jesus Cristo dão razões suficientes para afirmar que o crente nunca perecerá no inferno. O Cristão tem a vida eterna, (Rm. 6.23) por estar em Jesus Cristo. Jamais os que crêem no Filho irão ao lugar de morte eterna pois têm a vida. Os que não têm Cristo, não têm a vida e não verão a vida (Jo. 3.36). Tanta a vida eterna, quanto o Espírito Santo são garantias do cristão em Cristo (Rm. 8.14; Ef. 4.30). Os que têm o Espírito Santo serão salvos no último dia sem dúvida alguma (I Co. 3.13-16) e não há nenhuma possibilidade de perecerem no inferno.
Muitas vezes, as próprias boas obras dos Cristãos causam confusão em alguns. Há ênfase na Bíblia para o Cristão andar ao agrado do Pai, isso é, através da obediência. Não há dúvida nenhuma de que há boas obras para serem operadas pelo crente (Ef. 2.10) que in¬cluem um andar para testemunhar diariamente a Deus (Mt. 5.14-16) e uma batalha para ser feita pela fé. A confusão vem, quando as obras são interpretadas como sendo a causa e não o efeito da vida nova em Cristo. Pelo amor de Deus somos salvos por Cristo. Por sermos salvos, nós amamos a Deus (I Jo. 4.19). Não é o nosso amor que causa Deus a nos dar Cristo. A nossa obediência é fruto do Espírito Santo de Deus, nos ensinando, consolando e guiando (Jo. 14.26; 15.26; Gl. 5.22,23). A nossa obediência não é a causa de recebermos o Espírito Santo. Através de um estudo atencioso da Palavra de Deus podemos entender que as boas obras, o bom testemunho, a batalha feita pela fé ou a nossa obediência nunca são as causas de obter Cristo ou a graça (I Tm. 1.12-14). Devemos lembrar destas duas verdades:
1. Salvação é pela graça - NUNCA é merecida (Rm. 11.6; Ef. 2.8,9).
2. Salvação é por Cristo - NUNCA pelo homem (Jo. 3.35,36; 14.6; Rm. 5.6,8).
Em resumo, é bom lembrar que é fato que o crente peca. Somente precisamos considerar as vidas de Abraão, de Jacó, de Moisés e de Davi para entendermos que os crentes pecam. Estes que pecaram não estão entre os que perecem no inferno. Eles estão incluídos entre os que têm a fé verdadeira (Hb. 11). Tinham a fé em Cristo (Hb. 11.39; 12.2) e por isso alcançaram testemunho, mesmo antes que a promessa (Cristo) viesse. Você tem tal fé em Cristo?
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