sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O Pecado na Vida do Crente - Parte I

O Pecado na Vida do Crente
A. W. Pink

Muitos podem pensar que, uma vez que uma pessoa se torna crente, ela nunca mais luta contra o pecado, nem peca. É verdade que aquilo que é nascido no crente não pode pecar e nunca vai pecar (I Jo. 3.9; 5.18). O que nasce é a natureza divina no crente. A natureza divina no crente não pode pecar, mas o crente pode. Também é verdade que aquele nascido de Deus não vive dominado pelo pecado. Mesmo ele caindo, levanta (Pv. 24.16).

O pecado que o crente tem é ligado a ele por ele viver no mundo (I Jo. 2.16) e ter o pecado ainda nos seus membros (Rm. 7.23). Enquanto o crente estiver carne, terá o problema do pecado (Mt. 26.41: “... o espírito está pronto, mas a carne é fraca.”). Se não houvesse a possibilidade do crente ser influenciado pelo pecado, Davi não teria orado: “Expurga-me tu dos que me são ocultos.” (Sl. 19.12; 119.133) e nem teria dito: “O meu pecado está sempre diante de mim” (Sl. 51.3). Jesus também não teria orado ao Pai que “os livres do mal” (Jo. 17.15). Paulo travava uma luta constante contra o seu pecado o que o fez lamentar: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm. 7.24).

É fato bíblico que o crente peca (Pv. 20.9; 24.16; Ec. 7.20), pois, ele é enfraquecido pela carne (Jo. 3.6, “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.”). Tanto a realidade da presença do pecado na vida do crente quanto à nova natureza são vistas claramente na doutrina da santificação que envolve a correção de Deus (Hb. 12.5-13). Se não houvesse pecado na vida do crente, nunca haveria a correção. Se alguém que se acha crente, não conhece a mão pesada de Deus que corrige seus filhos levando-os a serem “participantes da Sua santidade” (Hb. 12.10), esse tal não tem razão nenhuma de se achar salvo.

Mesmo havendo a capacidade de pecar, o crente é responsável por não pecar (I Pe. 1.15, “sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver”; I Jo. 2.1; “estas coisas vos escrevo para que não pequeis”). A possibilidade de pecar nunca é uma razão para se desculpar a ação do pecado, mas uma forte razão para vigiar (Mt. 26.41) para que não entremos em tentação.

Quem está salvo tem uma nova natureza feita por Deus em Cristo que luta contra o pecado (Gl. 5.17; “e estes opõem-se um ao outro”; Rm. 7.23; “que batalha contra a lei do meu entendimento”). Antes de ser Cristão, o salvo não tinha forças nenhuma para dominar o pecado (Rm. 8.8). Em Cristo, o Cristão tem o que é necessário para dominar o pecado (Mt. 26.41; Fp. 4.13; I Jo. 4.4).

Por causa da confusão que existe sobre este assunto e as dúvidas que Satanás pode trazer à mente do pecador e do crente, seria proveitoso estudar o que acontece e o que não acontece quando o crente peca.

Primeira Parte: O QUE NÃO ACONTECE QUANDO O CRENTE PECA?

O Crente Não Cessa de Ser Filho de Deus

Rm. 8.14-17, “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.”

Pela graça de Deus somos nascidos de novo. Deus usa a terminologia “filhos” para mostrar o relacionamento especial que Ele tem com os Seus pelo novo nascimento. A Bíblia, usando o termo “filho” (Rm. 8.14-17), revela a impossibilidade de se quebrar os laços permanentes que Deus tem com os Seus. Será que existe a possibilidade de alguém fazer destes filhos “des-nascidos”?

Esse relacionamento de “filho”, olhado por outro aspecto, é chamado de adoção. É um ato judicial, que é realizado da parte de Deus, (Gl. 4.4-7), por Jesus Cristo e pela obra do Espírito Santo, com aquele que era filho “da desobediência” (Ef. 2.2). Esse ato mostra como o crente é feito uma “nova criatura”, (II Co. 5.17), pois este é mudado para uma família nova, com uma natureza nova. Será que uma criação de Deus pode ser “descriada” ou “desadotada”?

O crente é nascido de novo pelo Espírito de Deus, (Jo. 3.3-8) através da semente incorruptível (a Palavra de Deus, I Pe. 1.23) que permanece “para sempre”. Quando cessa a incorruptibilidade? Qual a limitação cronológica de “para sempre”?

Todavia, o pecado na vida do crente tem um efeito, mesmo que não desfaça a condição de ser ele um filho de Deus. O crente que peca, quebra a comunhão com Deus. Nunca devemos pensar que Deus coopera ou tem coexistência com o pecado. A Bíblia mostra claramente que “Não há santo como o Senhor é santo” (I Sm. 2.2). Pela inspiração do Espírito Santo, a Bíblia estabelece que “Deus é luz e não há nEle trevas nenhuma” (I Jo. 1.5). Amós faz aos filhos desobedientes de Deus, Israel, uma pergunta que convém ainda hoje: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3.3). Nisso ele destaca a quebra de comunhão. O filho pródigo, mesmo no pecado continuou sendo o filho do pai, mas por causa do seu orgulho, era desobediente e, nessa condição, não andava com o pai (Lc. 15.11-32).

A própria comunhão quebrada muitas vezes, é uma correção de Deus para com Seus filhos. Não é a salvação que termina, mas a “alegria” da salvação que é removida (Sl. 51.1, 10-12). Existem várias manifestações desta quebra de comunhão: pode ser percebida pela falta de vitória espiritual (Pv. 28.13; II Ts. 5.19, “não extingais o Espírito”.); “Confusão de rosto” (Dn. 9.8) e até o mal (Dn. 9.12-14). A quebra de comunhão para o crente verdadeiro, é o que a vara é para o corrigido, ou seja, uma correção eficaz. Aquele que já saboreou as delícias do fruto do Espírito Santo (Gl. 5.22) e o conforto de um caminhar constante com o Santo sabe como é terrível a quebra da comunhão com Deus. Por isso, Davi clamou para ter de volta tal alegria, e Pedro quando pecou, “chorou amargamente” (Mt. 26.75).

A solução para o pecado na vida do crente é a confissão a Deus. A justificação é feita uma vez e “para sempre” (At. 13.39; 8.1, “agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”), mas a purificação é contínua. A justificação é imputada pela graça de Deus, “pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm. 3.24) e pela qual temos a “paz com Deus” (Rm. 5.1), mas a purificação que faz parte da santificação é responsabilidade do crente (Lv. 26.40-42, “então confessarão a sua iniqüidade”; II Cr. 7.14; “se humilhar, orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos”; I Jo. 1.9, “se confessarmos”). Existe uma lavagem constante que é parte da obra de santificação na vida do crente. Essa lavagem é pela Palavra de Deus (Ef. 5.26) e nas horas de correção, quando a comunhão com Deus for quebrada, o crente clama por tal lavagem (Sl. 51.2).

Se a mão de Deus está pesando na sua vida e se você suspeita que haja pecado impedindo as bênçãos preciosas da Sua presença, busque a Deus em oração, pedindo que Ele sonde o seu coração. Quando a Palavra de Deus revelar qualquer coisa, confesse-a imediatamente, e procure humildemente a misericórdia de Deus que lhe dá a graça necessária para endireitar os seus pés no Seu caminho (Sl. 139.23-24).

O Crente Não Perde a Vida Eterna

Jo. 3.16, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Uma das razões da felicidade do crente que a Bíblia enfatiza repetidas vezes é: O salvo tem a vida eterna. Essa salvação eterna é baseada na graça de Deus (Rm. 11.6; Ef. 2.4-9; Jo. 3.16; I Jo. 4.19). O pecador, sendo o objeto da graça de Deus, não merece tal graça, nem antes de conhecê-la (Rm. 5.6-10) nem depois (Rm. 7.18).

Não há como enfatizar demais o fato da vida eterna. Essa vida é diferente daquela que Adão conheceu no Jardim do Éden e daquela que o povo de Israel conheceu sob a lei. A vida que Adão conheceu era probatória e a vida que Israel conheceu sob a lei era condicional. Enquanto Adão não comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele gozou paz com Deus e tinha firme sua permanência no jardim do Éden (Gn. 2.17; 3.6, 22-24). Enquanto Israel não adorou ídolos, enquanto Israel cumpriu a lei, gozou das bênçãos de Deus. O salvo é diferente, uma vez que ele tem a vida eterna baseada na obra de Cristo (Is 53.5-11; Rm 5.1; 7.22-25; 8.1; Fp 1.6).

A certeza dessa vida é entendida por palavras sugeridas na Bíblia como: “salvar perfeitamente” (Hb. 7.24,25), “não pereça” (Jo. 3.16), “nunca” (Jo. 10.28) e “ninguém pode arrebatar” (Jo. 10.28,29). É essencial lembrar que “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm. 11.29).

Todavia, o pecado na vida do crente tem um efeito, mesmo que não transforme o que é eterno em temporário. O crente que peca perde a segurança da sua salvação. Isso quer dizer que ele perde o sentimento ou a confiança da segurança da sua salvação. A segurança da salvação vem com a obediência (I Jo. 2.3).

Jonas conheceu esta perda de confiança com seu pecado, pois das entranhas do peixe ele disse: “Lançado estou de diante dos teus olhos” (Jn. 2.4), uma condição que revela uma falta de comunhão e a falta de confiança que acompanha tal comunhão (II Pe. 1.4-9).

Jeremias lamentou: “Ainda quando clamo e grito, ele exclui a minha oração” (Lm. 3.8). Esse sentimento de abandono é mais usual entre os crentes que têm pecado (Sl. 51.3,11; 77.7-9).

A solução para o pecado na vida do crente é Cristo (I Jo. 2.1,2). Aquele que é a salvação do pecador é, também, a solução do crente que peca.

O Crente Não Perde A Presença do Espírito Santo

Salmo 139.7, “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?”

Não deve ser uma surpresa para o crente o fato de tudo acerca da sua salvação vir do Senhor (Jn. 2.9, “Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do SENHOR vem a salvação”.). Nenhuma parte da salvação, seja no passado, no presente, ou no futuro, depende da justiça do homem. Isto é verdade principalmente porque o homem não tem nenhuma justiça própria (Is. 64.6; Rm. 3.10-18). Deus opera as obras de salvação em nós pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo. O Espírito testifica de Cristo (Jo. 15.26) e nos convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16.8). A fé é fruto do Espírito Santo (Gl. 5.22) como também a segurança da própria salvação (Rm. 8.16; Ef 1.13, “selados”). Por ser Deus quem através do Espírito Santo faz todas as partes da obra de salvação, o cristão pode ficar confiante de que essa obra permanece para todo o sempre (Ec. 3.14; Is. 51.6,8). Porque a salvação é pela graça, nunca por mérito real ou futuro. O cristão pode ficar aliviado de que a sua salvação é eterna.

O pecador recebe várias promessas e garantias quando Deus o traz à fé em Jesus Cristo. Uma das coisas que ele recebe é o Espírito Santo. O Espírito Santo foi dado para ficar com o cristão para sempre (Jo. 14.16). Será que um pecado por parte do cristão forçará Deus a mudar a vontade do Espírito Santo de permanecer no cristão? Existe algo que seja maior que Deus para forçar o Espírito Santo a não ficar para sempre com aquele que regenerou? Ninguém pode desfazer a obra de Deus por Cristo (Dn. 4.35; Jo. 10.28,29)! Nós merecemos perder o Espírito Santo, mas, por causa da promessa (Jo. 14.16) e da graça de Deus, não O perdemos (Mal 3.6).

É importante lembrar que o Espírito Santo está na vida do crente por causa da obra de Deus por Cristo e não pela obra do crente. Sendo pela obra de Cristo, e por Ele satisfazer a Deus em tudo, (Is. 53.11) aquilo que a Sua obra efetua é eterno, como Cristo é eterno (Jo. 1.1; 8.58).

A presença do Espírito Santo é tão certa que a Palavra de Deus usa a palavra “selados” para mostrar tal permanência. A palavra “selados” em grego significa “selar” ou “marcar com um selo”. Isso seria para proteção, para manter em confiança (Ap. 5.1,2), ou para comprovar (I Co. 9.2) ou confirmar (II Tm. 2.19). Um selo prova propriedade (#4973, Strong’s, Bíblia Online). Essa permanência contínua é determinada pela frase “para o dia da redenção” (Ef. 4.30; 1.13,14). O dia da redenção é o dia em que o corpo, a alma e o coração do cristão estarão juntos no céu com Cristo. O cristão é preservado para esse dia (Jd. 24). Sabendo que somos selados no Espírito Santo até o dia da redenção, somos constrangidos a sermos vigilantes; não por causa da possibilidade de perder o Espírito Santo, mas para não entristecer o próprio Espírito Santo.

Quando o Espírito Santo habita o cristão, ele é visto como estando salvo (Rm. 8.9,14-16). Para entender que a presença do Espírito Santo não se baseia na possibilidade do crente não pecar, podemos considerar os irmãos na igreja em Corinto. Mesmo com os pecados grosseiros e a ignorância que existia naquela igreja, os membros foram denominados como tendo o Espírito Santo (I Co. 3.16).

Todavia, o crente entristece o Espírito Santo pelo pecado (Ef. 4.30; I Ts. 5.19). Quando o Espírito Santo é entristecido, as vitórias na vida, as conquistas sobre o pecado e o crescimento na graça são prejudicados (Is. 63.10; Hb. 3.10-17). Pergunte a Himeneu e Alexandre se valeu a pena entristecer o Espírito Santo (I Tm. 1.19,20). Não se pode perder a presença do Espírito Santo, mas, se pode perder a manifestação da Sua presença.

A Solução do pecado na vida do crente vem através de uma limpeza espiritual constante. Observe que Davi foi sondado por Deus mais de uma vez (Sl. 139.1,23,24). O arrependimento e a fé que trouxeram a salvação é uma atividade contínua para o crente que conhece a sua fragilidade na carne (Cl. 2.6). Pelo andar no Espírito, o cristão é santificado para agradar a Deus e conhecer as bênçãos desse andar íntimo (Gl. 5.24,25. II Pe. 1.5-8)). Quando a carne estiver estimulada na sua vida, crucifique-a junto com as suas paixões e concupiscências. Jamais as defenda ou ignore.
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