sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Revelação do Espírito - Andrew Murray


A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria
humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória; A
qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito
que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais. Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. propósito.
I Coríntios 2:4-8, 10, 12-15



Nesta passagem Paulo contrasta o espírito do mundo com o Espírito de Deus. O ponto particular de contraste está na sabedoria ou conhecimento da verdade. Foi na busca de conhecimento que o homem caiu. Foi no orgulho do conhecimento que o paganismo teve sua origem: “professando serem sábios, tornaram-se tolos” (Romanos 1:22). Foi na sabedoria, filosofia, e na busca da verdade que os gregos procuraram glória. No conhecimento da vontade de Deus, o judeu tinha sua jactância: “tendo na lei a forma de conhecimento e verdade” (Romanos 2:20). Ainda assim quando Cristo, a sabedoria de Deus, apareceu na terra, tanto judeus quanto gentios o rejeitaram. A sabedoria do homem, mesmo que na possessão de uma revelação qualquer, é totalmente insuficiente para compreender Deus ou Sua sabedoria. Assim como seu coração está alienado de Deus, ele também não ama ou faz a vontade de Deus, pois sua mente está obscurecida de modo a impedir o adequado conhecimento de Deus. Mesmo quando em Cristo a luz do amor divino brilhou sobre os homens, eles não reconheceram este amor e não viram beleza nele.

Na epístola aos Romanos, Paulo tratou com a confiança do homem em sua própria justiça e a insuficiência disto. Aos Coríntios, especialmente nos 3 primeiros capítulos, ele expôs a insuficiência da sabedoria do homem. Não apenas quando a questão era descobrir a verdade e a vontade de Deus, como no caso dos gentios, mas também quando Deus já as tinha revelado, como no caso dos judeus, o homem foi incapaz de vê-la sem a iluminação divina – a luz do Espírito Santo. Os governadores deste mundo, judeus e gentios, crucificaram o Senhor da glória porque não tinham a sabedoria de Deus. Ao escrever aos crentes de Corinto, e adverti-los contra a sabedoria do mundo, Paulo não está tratando com qualquer heresia, judaica ou pagã. Ele está falando a crentes que tinham aceitado plenamente seu evangelho de um Cristo crucificado, mas que estavam em perigo, na pregação ou no ouvir a verdade, de fazerem isso no poder da sabedoria humana. Ele os lembra de que a verdade de Deus, como um mistério espiritual oculto, somente pode ser compreendida por uma revelação espiritual. A rejeição de Cristo pelos judeus foi a prova da total incapacidade da sabedoria humana de se apropriar de uma revelação divina sem a iluminação interior e espiritual do Espírito Santo.

Os judeus se orgulhavam de sua relação tão próxima com a Palavra de Deus, o seu estudo dela, a sua conformidade a ela na vida e conduta. Mas foi provado que, mesmo sem estarem conscientes disso, eles a compreenderam de modo totalmente equivocado, e rejeitaram o próprio Messias por quem eles pensavam estar esperando. Revelação divina, como Paulo expõe neste capítulo, significa 3 coisas:  1) Deus tem que tornar conhecido em Sua Palavra o que Ele pensa e faz; 2) cada pregador que irá comunicar a mensagem deve não apenas estar de posse da verdade, mas ser continuamente inspirado pelo Espírito quanto ao modo como proclamá-la; 3) cada ouvinte carece de iluminação divina interior: é somente quando ele é um homem espiritual, com sua vida debaixo da liderança do Espírito Santo, que sua mente pode absorver a verdade espiritual. Quando temos a mente e a disposição de Cristo, podemos discernir a verdade que está em Cristo Jesus. Este ensino é o que a igreja em nossos dias, e cada cristão em particular, necessita. Com a Reforma, a insuficiência da justiça do homem e de seu poder para cumprir a lei de Deus, obteve reconhecimento universal nas igrejas reformadas, e, pelo menos teoricamente é aceita entre todos os cristãos evangélicos em todo lugar. A insuficiência da sabedoria do homem, ao contrário, não tem obtido tão claro reconhecimento. Enquanto a necessidade do ensino do Espírito Santo é em geral admitida prontamente, descobrimos que nem no ensino da igreja e nem nas vidas dos crentes, esta bendita verdade tem supremacia prática e todo-abrangente – sem isso, a sabedoria e espírito deste mundo continuarão impondo seu poder.

A prova do que temos dito será encontrada no que Paulo diz de sua própria pregação: “a minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder” (I Coríntios 2:4). Ele não está escrevendo sobre dois evangelhos, como fez aos gálatas, mas sim de duas maneiras de pregar o único evangelho da cruz de Cristo. Ele diz que pregá-lo em palavras persuasivas de sabedoria humana produz uma fé que trará a marca de sua origem – uma fé na sabedoria do homem. Tanto quanto ela for alimentada por homens e por meios, ela se erguerá e florescerá. Mas ela não pode permanecer por si mesma ou no dia do teste. Um homem pode tornar-se um crente com tal pregação, mas ele será um crente fraco. A fé, por outro lado, recebida como resultado de pregar no Espírito e em poder, se erguerá no poder de Deus. O crente é conduzido através da pregação, pelo Espírito Santo mesmo, para além do homem, a um contato direto com o Deus Vivo; a sua fé se apoia no poder de Deus. Na mesma medida em que a grande maioria dos membros da igreja esteja em um estado fraco e doentio, com pouca daquela fé que se apoia no poder de Deus, mesmo que ainda haja abundância dos meios de graça, nós devemos suspeitar que isto seja devido a que muito de nossa pregação está mais na sabedoria do homem do que em uma demonstração do poder do Espírito. Se alguma mudança irá acontecer, tanto no espírito no qual nossos pregadores e mestres ministram, quanto no ouvir e receber das nossas congregações, esta mudança deve começar na vida pessoal do crente individual. Nós devemos aprender a questionar nossa própria sabedoria: “confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5-6). Paulo diz aos crentes: “se qualquer de vós pensa ser sábio neste mundo, torne-se tolo para que se faça sábio” (I Coríntios 3:18). Quando as Escrituras nos dizem que aqueles que são de Cristo crucificaram a carne, isto inclui o entendimento da carne, a mente carnal da qual falam as Escrituras. Assim como na crucificação do eu, eu abandono minha própria bondade, minha própria força e vontade à morte, porque não há nada bom nelas, e olho para Cristo para que, pelo poder de sua vida me dê a bondade, a força e a vontade que são agradáveis a Deus, assim também deve ser com minha própria sabedoria. A mente do homem é uma das suas faculdades mais nobres e mais semelhantes a Deus. Mas o pecado se assenhoreia sobre ela e nela. Um homem pode ser verdadeiramente convertido e ainda assim não conhecer em qual extensão ele está tentando se apropriar e guardar a verdade de Deus com sua mente natural. A razão pela qual há tanta leitura e ensino bíblico que não têm poder para elevar e santificar a vida é simplesmente esta: não é verdade que tem sido revelada e recebida através do Espírito Santo.

Isto também é o caso com a verdade que uma vez tenha sido nos ensinada pelo Espírito Santo, mas que, tendo sido alojada no entendimento é agora mantida simplesmente pela memória. O maná rapidamente perdia sua celestialidade quando estocado na terra. A verdade recebida do céu perde seu frescor divino a menos que a unção com óleo fresco esteja ali cada dia. O crente necessita, dia a dia, hora após hora, saber que não há nada no qual o poder da carne pode se impor mais sutilmente do que na atividade da mente ou razão quando estas estão lidando com a Palavra divina. Isto fará com que percebamos que devemos continuamente buscar, na linguagem de Paulo, “tornar-nos tolos”. Toda vez que lidamos com a Palavra de Deus ou pensamos sobre a verdade de Deus, necessitamos em fé e coração ensinável esperar pela interpretação do Espírito. Necessitamos pedir “ouvidos circuncidados” – dos quais o poder carnal de entendimento foi removido. Para o tal, esta palavra será cumprida: “graças te dou ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas dos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos” (Mateus 11:25).A pergunta para todos os pastores e mestres, professores e teólogos, estudantes e leitores da Bíblia, é séria: você sabe que deve haver perfeita correspondência entre o conteúdo espiritual objetivo da revelação e a apreensão espiritual subjetiva dela de nossa parte? Nossa apreensão e nossa comunhão dela estão ambas no poder do Espírito  Santo? E a nossa comunicação dela e a recepção por parte daqueles que nos ouvem? Nossas salas de estudo teológico, seminários e institutos de treinamento bíblico carecem de um emblema sobre eles com as palavras de Paulo: “mas Deus nos revelou pelo Espírito Santo”.

Pastores devem influenciar e treinar o seu povo para ver que não é a quantidade ou a clareza ou os aspectos interessantes do conhecimento bíblico recebido que determinarão a bênção e o poder, mas a medida da dependência do Espírito Santo que o acompanha. Deus honrará os que O honram. Em nenhum outro lugar estas palavras serão mais verdadeiras que neste assunto. A crucificação do eu e sua sabedoria, a aproximação em fraqueza e santo temor, como Paulo o fez, serão acompanhadas pela demonstração do Espírito e de poder. Não é suficiente que a luz de Cristo brilhe sobre você na palavra; a luz do Espírito deve brilhar em você. Toda vez que você entra em contato com a Palavra pelo estudo, pregação ou leitura de literatura cristã, deve haver um ato de auto-negação, uma escolha de negar sua própria sabedoria, rendendo-se em fé ao Mestre divino. Afirme que Ele habita dentro de você. Regozije-se em renovar sua rendição a Ele. Rejeite o espírito do mundo com sua sabedoria e auto-confiança; venha em pobreza de espírito para ser guiado pelo Espírito de Deus. “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). É uma vida transformada e renovada que deseja somente conhecer a perfeita vontade de Deus, que será ensinada pelo Espírito. Encerre o assunto para com sua própria sabedoria, espere pela sabedoria de Espírito, a qual Deus prometeu. Você será mais e mais apto a testificar das coisas que não penetraram nos corações dos homens, porque Deus as revelará a você pelo Seu Espírito.



Ó Deus, louvo-Te pela maravilhosa revelação de Ti mesmo
em Cristo crucificado, a sabedoria e o poder de Deus. E
porque enquanto a sabedoria e poder do homem o
deixam desamparado na presença do poder do pecado e
da morte, Crsito crucuficado prova que Ele é a sabedoria
de Deus pela poderosa redenção que Ele opera. AgradeçoTe
porque o que Ele operou e derramou como nosso
Salvador, é revelado a nós pela divina luz de Seu próprio
Espírito Santo.
Nós pedimos que Tu ensines Tua igreja que onde quer
que Cristo como o poder de Deus não é manifestado, é
porque Ele tampouco é conhecido como a Sabedoria de
Deus. Ensina Tua igreja a conduzir cada filho de Deus a um ensino 
e revelação pessoal do Cristo que habita interiormente.
Mostra-nos, ó Deus, que a maior barreira é a nossa
própria sabedoria, nossa imaginação de que podemos
entender a Palavra e a verdade de Deus por nós mesmos.
Ensina-nos a nos tornarmos tolos para que possamos ser
sábios. Faça a nossa vida um contínuo ato de fé para que o
Espírito Santo realize a Sua obra de ensinar, guiar e
liderar em toda verdade. Pai, Tu concedeste o Teu
Espírito a fim de que Ele possa revelar Jesus em nós;
esperamos por isto. Amém.


Sumário

1. Deus escolheu as coisas tolas do mundo para envergonhar as sábias (I Co 1:27) (Compare 1:19-21; 3:19-20). Foi apenas em Corinto que os crentes precisavam deste ensino? Ou não há em cada homem uma sabedoria que não é de Deus, e uma prontidão em pensar que ele pode entender a Palavra sem contato direto com o Deus Vivo? Esta sabedoria busca gerenciar até mesmo a verdade mais espiritual, formar um conceito ou imagem clara dela, e orgulha-se nisto em lugar de na revelação do Espírito. 2. Jesus tinha o Espírito de Sabedoria. Como ele se manifestou? Em Sua espera para ouvir o que o Pai falava. Um coração perfeitamente ensinável foi a marca do Filho na terra. Esta é a marca do Espírito em nós. Quando o Espírito encontra nossa vida em obediência a Ele, então Ele nos ensina através daquilo que Ele opera em nós.

3. É inimaginável como um cristão pode enganar-se com a aparência de sabedoria em pensamentos elevados e sentimentos afetados, enquanto que o poder de Deus está ausente. É inimaginável, até que Deus no-lo revele. A sabedoria do homem apresenta-se em contraste com o poder de Deus. O único verdadeiro sinal da sabedoria divina é o seu poder. O reino de Deus não é de meras palavras, pensamentos e conhecimento, mas de poder. Possa Deus abrir nossos olhos para vermos quanto de nosso Cristianismo consiste em palavras, pensamentos e sentimentos importantes, mas não no poder de Deus.

4. Note que o Espírito do mundo e a sabedoria do mundo são um. A amplitude na qual muitos cristãos se entregam à influência da literatura desta era sem temor ou cautela é uma das grandes razões pela qual o Espírito Santo não pode guiá-los ou revelar Cristo neles.


  
Extraído do Livro "O Espirito de Cristo" de Andrew Murray.


   
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário

João 15:1

"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador."

Copyright © Na Videira | Traduzido Por: Mais Template

Design by Anders Noren | Blogger Theme by NewBloggerThemes