[Capítulo 12, Christian Employees, e Parte 3: Authority in Christian Practice do livro Practical Christianity]
Quão intensamente prática é a Bíblia! Ela não somente nos revela o caminho para o Céu,
mas também é repleta de instruções a respeito de como devemos viver aqui na terra. Deus
deu a Sua Palavra a nós para ser uma lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho,
ou seja, para a regulação de nossa caminhada diária. Ela nos faz conhecer o que
Deus requer que façamos em todas as variadas relações da vida. Alguns de nós são solteiros,
outros casados; alguns são filhos, outros pais; alguns são patrões, outros servos. A
Escritura fornece preceitos e regras definidas, motivos e encorajamentos para cada um, semelhantemente.
Ela não somente nos ensina como devemos comportar-nos na igreja e em
casa, mas igualmente na oficina e na cozinha, fornecendo exortações necessárias para
empregadores e empregados — uma prova clara de que Deus não designou que todos os
homens sejam iguais, o que certamente indica que nem o “Socialismo” ou o “Comunismo”
jamais prevalecerão universalmente. Uma vez que uma parte considerável da maioria de
nossas vidas será gasta em serviço, é tanto para o nosso bem quanto para a glória de Deus
que nós atendamos a essas exortações.
Um escritor secular apontou recentemente que “cada vez mais, o trabalho tem vindo a ser
considerado como um meio desagradável para a obtenção do lazer, em vez do lazer ser
visto como uma medida de recuperação para nos readequar para o trabalho”. Essa é uma
forma muito suave de dizer que a presente geração é louca por prazer e odeia qualquer
tipo de trabalho real. Várias explicações têm sido desenvolvidas para explicar isso, tais
como: a substituição do trabalho manual pelas máquinas, o medo do desemprego que desestimula
o zelo, as doações, os subsídios e as isenções que estão disponíveis para aqueles
que não trabalham e não querem trabalhar. Embora cada um desses tenha sido um
fator contribuinte, contudo, há uma causa mais fundamental e solene desta doença social,
ou seja, a perda daquelas convicções morais que anteriormente marcavam uma grande
proporção dos frequentadores da igreja, que se conscientizavam de servir ao Senhor enquanto
envolvidos em atividades seculares, e que eram acionados por princípios de honestidade
e integridade, fidelidade e lealdade.
Em nenhuma parte, a falsidade dos Cristãos professos tem sido mais aparente, durante as
últimas duas ou três gerações, do que neste momento. Em nenhum lugar mais reprovação
tem sido trazida sobre a causa de Cristo do que pela maioria dos empregados que carregam o Seu nome. Quer seja na fábrica, na mina, no escritório ou no campo, aquele que afirma
ser um seguidor do Senhor Jesus deve se destacar inconfundivelmente de seus colegas de
trabalho que não fazem nenhuma profissão de fé. Sua pontualidade, sua veracidade, sua
consciência, a qualidade de seu trabalho, sua dedicação quanto aos interesses de seu empregador,
devem ser tão evidentes que não haja necessidade para ele que os outros saibam
a partir de seus lábios que ele é um discípulo de Cristo. Deve haver uma notável ausência
daquele desleixo, negligência, egoísmo, ganância e insolência que marcam a maioria
dos ímpios, para que todos possam ver que ele é motivado e regulado por princípios mais
elevados do que aqueles o são. Mas, se a sua conduta desmente sua profissão de fé, então,
seus companheiros são confirmados na opinião deles de que “não há nada na religião,
senão discurso”.
O todo da culpa não repousa sobre eles, o púlpito está longe de ser inocente nesta questão.
O Senhor expressamente ordena que Seus servos preguem sobre isso, como sendo um
assunto de grande importância e uma parte essencial daquela doutrina que é segundo a
piedade. “Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos
de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que
têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes os sirvam melhor, porque
eles, que participam do benefício, são crentes e amados. Isto ensina e exorta” (1 Timóteo
6:1-2). Mas onde está o ministro que faz isso hoje? Infelizmente, como muitos têm desprezado
e negligenciado tal ensino prático, ainda que impopular! Desejosos de serem considerados
como “profundos”, eles se desviaram para disputas doutrinárias ou especulações
proféticas que não beneficiam ninguém. Deus diz: “Se alguém ensina alguma outra
doutrina... É soberbo, e nada sabe” (1 Timóteo 6:3-4).
Mais uma vez o pastor é Divinamente ordenado: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.
Os velhos, que sejam sóbrios... As mulheres idosas, semelhantemente... Exorta semelhantemente
os jovens a que sejam moderados... Exorta os servos a que se sujeitem a
seus senhores, e em tudo agradem, não contradizendo, não defraudando, antes mostrando
toda a boa lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador”
(Tito 2:1-10). Você, companheiro ministro, está falando sobre essas coisas? Você
está alertando os empregados que faltas desnecessárias são um pecado? Você está informando
aos seus membros da igreja que são funcionários que Deus requer deles que façam
constante esforço para dar plena satisfação aos seus senhores em cada parte de sua
conduta; que eles devem ser respeitosos e não insolentes, trabalhadores e não indolentes,
submissos e não desafiadores das ordens que recebem? Você os ensina que a conduta
deles ou adorna ou desonra a doutrina que professam? Se não, infelizmente, você está
falhando na realização de sua comissão.
Tendo em vista o silêncio quase total do púlpito sobre isso, é impressionante ver com que frequência as epístolas do Novo Testamento inculcam e ampliam os deveres dos empregados.
Em Efésios 6, encontramos a exortação do apóstolo, “Vós, servos, obedecei a
vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração,
como a Cristo; não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de
Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor,
e não como aos homens” (vv. 5-7). Empregados Cristãos são obrigados a cumprir as convocações
e ordens de seus empregadores, cumprindo-o com deferência respeitosa com as
suas pessoas e autoridade, temendo desagradá-los. Eles devem ser tão diligentes em seu
trabalho e desempenhar as suas funções com a mesma consciente solicitude quando seu
chefe está ausente, como quando seus olhos estão sobre eles. Eles devem executar as
suas tarefas “de boa vontade”, não com tristeza e com relutância, mas gratos pelos meios
honestos de subsistência. E tudo isso como “servos de Cristo”, cuidando para não desonrá-
lO por qualquer comportamento inadequado, mas buscando a glorificá-lO; esforçando-se a
partir de tais motivos e desejando santificar o nosso labor, e torná-lo um “sacrifício espiritual”
para Deus.
Em Colossenses 3, o apóstolo também exortou: “Vós, servos, obedecei em tudo a vossos
senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens,
mas em simplicidade de coração, temendo a Deus. E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo
o coração, como ao Senhor, e não aos homens” (vv. 22-23). Ele deve obedecer a toda
ordem lícita, mesmo que seja desagradável, difícil ou cansativa. Ele deve ser fiel em todo
o dever confiado a ele. Tudo o que vier à sua mão, ele deve fazê-lo conforme a sua força,
fazendo isso da melhor maneira possível. Ele deve fazê-lo rápida e alegremente, ter prazer
no seu trabalho. Tudo deve ser feito “como ao Senhor”, que transformará o secular em sagrado.
Em seguida, é adicionado: “Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da heran-
ça, porque a Cristo, o Senhor, servis” (v. 24), que incentivo à fidelidade é isso! “Mas quem
fizer agravo receberá o agravo que fizer” (v. 25) é um aviso solene para impedir de falhar
no dever, pois “seja neste mundo ou no outro, Deus vingará toda essa injúria” (John Gill).
“Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos,
mas também aos maus. Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência
para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente” (1 Pedro 2:18-19). Este repetida
insistência dos apóstolos aos trabalhadores quanto ao correto desempenho de suas
funções, indica não somente o quanto a glória de Deus está envolvida nisso, mas também
que indisposição por parte deles faz tal repetição necessária — evidenciado por aqueles
que tomam dois ou três dias das férias por correrem para reuniões religiosas, colocando,
assim, os seus empregadores em situações inconvenientes. A santidade é mais visível em
nossa conduta diária, no desempenho das nossas funções em tal espírito e com tanta
eficiência a ponto de recomendar o Evangelho àqueles a quem servimos. Que esteja em mente que estas instruções se aplicam a todos os funcionários, homens e mulheres, em
todas as posições e condições. Que cada leitor destas páginas, que é um funcionário,
pergunte a si mesmo: “Até onde eu estou realmente fazendo um esforço genuíno, fervoroso
e diligente para cumprir os requisitos de Deus no exercício de minhas funções? Que nenhuma
‘regra dos sindicatos’ nem ‘regulamentos de delegados sindicais’ sejam permitidos colocarem
de lado ou modificarem estes mandamentos Divinos.
Deve-se destacar que os preceitos acima são aplicados e exemplificados nas Escrituras
por muitos exemplos notáveis. Veja como o Espírito se agrada em tornar conhecida a
devoção de Eliézer, ao orar para que o Senhor Deus pudesse dar-lhe “bom encontro, e faze
beneficência ao meu senhor Abraão!” (Gênesis 24:12), e observe como ele fielmente
isentou a si mesmo e como ele falou sobre seu senhor. Jacó poderia dizer: “E vós mesmas
sabeis que com todo o meu esforço tenho servido” (Gênesis 31:6); você pode declarar o
mesmo? Apesar de estar entre os pagãos, o seguinte é registrado a respeito de José:
“Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele, e tudo o que fazia o SENHOR
prosperava em sua mão, José achou graça em seus olhos” (Gênesis 39:3-4), que
testemunho foi esse! A Escritura também narra a infidelidade do servo de Eliseu e o terrível
juízo que veio sobre ele (2 Reis 5:20-27). Por fim, que todos os servos e empregados
lembrem-se que o lugar de servo foi honrado e adornado para sempre pela obediência
voluntária e perfeita do Filho de Deus encarnado!
“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Eclesiastes 9:10),
faça isto da melhor maneira que você puder.

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