quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O Mensageiro da Cruz - Watchman Nee

Em anos recentes muitos parecem estar cansados de ouvir a mensagem da cruz; entretanto, damos graças a Deus nosso Pai, e o louvamos, pois ele reservou, por amor de seu grande nome, muitos fiéis que não dobraram os joelhos a Baal. Achamos, entretanto, que todos os servos de Deus devem saber por que, embora fielmente proclamem a cruz, vêem tão pouco resultado. Por que as pessoas ouvem a palavra verdadeira de Deus e no entanto suas vidas demonstram tão pequena mudança? Cremos que este assunto deve receber nossa maior atenção. Nós, como trabalhadores do Senhor, devemos saber por que o evangelho que pregamos falha em ganhar pessoas. Que humildemente oremos, pedindo que o Espírito de Deus derrame luz sobre nossos corações a fim de vermos onde falhamos.
Naturalmente, devemos dar atenção à palavra que pregamos. (Aqui não nos preocuparemos
com os que pregam um evangelho errado, ou "outro" evangelho, pois sua fé já está em erro.).
O que pregamos é a verdade, em perfeito acordo com a Bíblia. Nosso tema é a cruz do Senhor Jesus. O que proclamamos não é outro senão o Senhor Jesus, e este crucificado a fim de salvar os pecadores, tanto da pena como do poder do pecado. Sabemos que nosso Senhor morreu na cruz como substituto dos pecadores para que todos aqueles que crêem nele sejam salvos sem as obras. Entretanto, não somente sabemos que Cristo foi crucificado como nosso substituto, mas sabemos também que os pecadores e seus pecados foram crucificados com ele. Temos conhecimento completo do caminho da salvação. Estamos familiarizados com o segredo do morrer com Cristo e com o conseguir, pela fé, o poder de sua morte a fim de lidar com o ego e também com o pecado. Compreendemos claramente todos os ensinamentos relacionados com este assunto apresentados na Bíblia; e podemos apresentá-los tão bem de modo que todos os apreciem — tão bem, de fato, que quando pregamos a cruz de Cristo, o auditório parece prestar muita atenção e grandemente comover-se. Talvez tenhamos eloqüência natural, o que aumenta ainda mais nossa capacidade de emocionar as pessoas — e grandemente ajuda, achamos, nossa obra.

Em tais circunstâncias, naturalmente esperamos que muitos incrédulos recebam a vida e que muitos crentes recebam a vida mais abundante. Entretanto, os resultados são outros, para surpresa nossa. Embora as pessoas, no auditório, pareçam estar emocionadas, descobrimos que meramente retêm na memória as palavras que falamos sem ganhar o que espiritualmente desejamos para elas. Não há mudanças notáveis em sua vida. Compreendem o ensino mas sua vida diária não é afetada. Simplesmente armazenam o que ouvem, sem que isso tenha qualquer impacto prático em seus corações.

O motivo de um efeito tão contrário como este parece estar no fato de que o que você e eu
possuímos é mera eloqüência, palavras ou sabedoria. Por trás de nossa palavra não existe o
poder que estimula o coração. Nossa palavra e voz podem ser excelentes, entretanto, o poder
de transformar vidas está ausente delas. Por outras palavras, embora possamos atrair as pessoas a fim de nos ouvir, o Espírito Santo não tem trabalhado juntamente conosco. E por isso nosso esforço não produz resultado permanente. Nossa palavra não causa nenhuma impressão indelével nas vidas das pessoas. As palavras podem fluir de nossa boca, mas de nosso espírito nenhuma vida é liberada a fim de alimentar e vivificar o auditório espiritualmente árido. Ultimamente a palavra de Deus tem-me chamado a atenção contra este tipo de pregação. Não devemos procurar ser oradores aclamados pelas pessoas (pois não é o nosso Senhor o doador da vida?); antes, devemos ser meros canais através dos quais a vida dele possa fluir ao coração do homem. Por exemplo, ao pregarmos a cruz, devemos ser aqueles que podem conceder a vida da cruz aos outros. O que me fere grandemente é que, embora muitos hoje estejam pregando a cruz, os ouvintes não parecem receber a vida de Deus. As pessoas ouvem nossas palavras; parecem aprová-las e alegremente recebê-las; entretanto a vida de Deus não está presente.

Quão freqüentemente, ao proclamarmos a mensagem da cruz as pessoas aparentam perceber o significado e o motivo para tal morte e podem parecer que estão profundamente comovidas nesse instante; porém não testemunhamos a graça de Deus operando em seu meio e fazendo com que elas realmente recebam a vida de regeneração. Ou, como outro exemplo, podemos pregar sobre o aspecto da co-morte da cruz. Explicamos o ensinamento tão clara e persuasivamente que muitas pessoas logo começam a orar e podem até mesmo decidir-se a morrer instantaneamente com Cristo a fim de experimentar a vitória sobre o pecado e o eu. 

Com o passar do tempo, entretanto, não percebemos nelas a vida abundante de Deus. Tais resultados imperfeitos trazem-me muita angústia. Levam-me a humilhar-me perante Deus e a buscar sua luz. Ora, se você partilhar da mesma experiência, gostaria que se juntasse a mim em tristeza perante o Senhor e que juntos nos arrependêssemos de nosso fracasso. O que nos falta hoje são homens e mulheres que verdadeiramente preguem a cruz, e que a preguem especialmente no poder do Espírito Santo.

Com relação a isto, leiamos a seguinte porção da Palavra de Deus: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem, ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiam em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em
demonstração do Espírito e de poder" (1 Coríntios 2:1-4).

Nesta passagem podemos ver o esboço de três coisas: primeiro, a mensagem que Paulo prega; segundo, o próprio Paulo; e terceiro, como Paulo proclama sua mensagem. Primeiro: a mensagem que Paulo prega A mensagem que Paulo prega é Jesus Cristo, e este crucificado. Seu assunto é a cruz de Cristo ou o Cristo da cruz. Ele só sabe isto e nada mais. Que tremenda perda será para os que nos ouvem e também para nós mesmos o nos esquecermos da cruz e não fazermos dela e do seu Cristo nosso único tema. Espero que não estejamos entre aqueles que não pregam a cruz de modo nenhum.

De forma que à luz desta passagem da Escritura, nossa mensagem e nosso tema estejam deveras corretos. Mas não temos tido a experiência de, a despeito da correção de nossa mensagem, não transmitirmos vida às pessoas? Permita-me dizer-lhe, que embora seja essencial pregar a mensagem correta, metade de nosso labor será em vão se não tiver como resultado a recepção de vida pelas pessoas.

Devemos sublinhar que o objetivo de nossa obra é que as pessoas tenham vida. Pregamos a morte substitutiva da cruz a fim de que Deus possa conceder vida aos que crêem. Mas que
proveito há em ficarem meramente emocionados e serem levados ao arrependimento (até mesmo aprovando o que pregamos) se sua simpatia for somente superficial e a vida de Deus não entrar neles? Ainda estarão sem a salvação. De modo que nosso objetivo não é levar as pessoas somente ao arrependimento ou influenciar-lhes a mente, mas conceder-lhes a vida de Deus para que sejam salvas. Ainda quando pregamos ao crente a verdade mais profunda referente à co-morte da cruz, devemos ter em vista o mesmo objetivo. Ora, é muito fácil fazer com que as pessoas conheçam e compreendam certo assunto. Realmente não é difícil persuadir as pessoas a aceitarem mentalmente nosso ensinamento; crentes e incrédulos, da mesma forma, com algum conhecimento, podem, facilmente compreender, se
o ensinamento lhes for explicado com clareza. Mas para que recebam vida, poder, e para que
experimentem o que pregamos, Deus tem de operar por nosso intermédio a fim de dispensar
a vida mais abundante. Não devemos nos esquecer jamais de que tudo o que fazemos é com o propósito de sermos canais da vida de Deus para que essa mesma vida flua para o espírito das pessoas. Portanto, tendo a correção da mensagem e do tema, precisamos ter certeza de que somos canais que Deus possa usar a fim de transmitir vida para as outras pessoas.

Segundo: o próprio Paulo 
A mensagem que Paulo prega é a cruz do Senhor Jesus Cristo. O que ele proclama não é em vão, uma vez que é um canal vivo da vida divina. Com o evangelho da cruz, ele gera a muitos. Entretanto, ao pregar a palavra da cruz, o que acontece com ele? Ele diz: "E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós." Ele próprio é uma pessoa crucificada! Percebamos que é preciso uma pessoa crucificada a fim de pregar a palavra da cruz. Aqui, Paulo não tem absolutamente nenhuma confiança em si mesmo. Sua fraqueza, temor e grande tremor — o perceber a si mesmo como totalmente inútil e sem nenhuma autoconfiança — são sinais seguros de que ele é uma pessoa crucificada."Estou crucificado com Cristo", Paulo certa vez declarou (Gálatas 2:19). A seguir acrescenta: "Dia após dia morro!" (1 Coríntios 15:31). É preciso um Paulo moribundo a fim de proclamar a crucificação.

Sem a verdadeira morte do ego, a vida de Cristo não pode fluir dele. É relativamente fácil pregar a cruz, mas ser uma pessoa crucificada na pregação da crucificação, não o é. Se não formos homens e mulheres crucificados, não podemos pregar a palavra da cruz; ninguém receberá a vida da cruz mediante nossa pregação a menos que estejamos crucificados. Para falar francamente, aquele que não conhece a cruz experimentalmente não é digno de pregá-la.

Terceiro: como Paulo proclama sua mensagem
A mensagem de Paulo é a cruz, e ele próprio é uma pessoa crucificada. Ao pregar a cruz, ele adota a maneira da cruz. A pessoa crucificada prega a mensagem da cruz no espírito da cruz. Mui freqüentemente o que pregamos é, de fato, a cruz; mas nossa atitude, nossas palavras e nossos sentimentos não parecem testemunhar do que pregamos. Muito da pregação da cruz não é feita no espírito da cruz! Paulo escreveu aos crentes Coríntios: "...quando fui ter convosco, anunciando- sabedoria." Aqui, o testemunho de Deus refere-se à palavra da Cruz. Paulo não empregou palavras difíceis de sabedoria ao proclamar a cruz mas foi ter com eles no espírito da cruz: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder." Esse é, verdadeiramente, o espírito da cruz. A cruz é a sabedoria de Deus, embora para os incrédulos seja loucura. Quando proclamamos a mensagem "louca", devemos assumir a maneira "louca", adotar a atitude "louca", e usar palavras "loucas". A vitória de Paulo encontra-se no fato de ser ele, deveras, uma pessoa crucificada. Ele pode, portanto, proclamar a cruz com a atitude e também com o espírito da cruz. Aquele que não experimentou a crucificação não está cheio do espírito da cruz e, conseqüentemente, não é digno de proclamar a mensagem da cruz.

Depois de examinarmos a experiência de Paulo, será que ela não nos mostra a causa de nosso fracasso? A mensagem que pregamos pode estar certa, mas examinemos a nós mesmos à luz do Senhor, discernindo se somos realmente homens e mulheres crucificados. Com que espírito, palavras e atitudes pregamos a cruz? Ah! Que nos humilhemos profundamente perante estas perguntas para que Deus possa ser gracioso a nós e que os que nos ouvem possam receber a vida.

O fracasso das pessoas em receber a vida deve ser falha dos pregadores! Não é que a palavra tenha perdido seu poder; é que os homens têm falhado. Os homens têm impedido o transbordar da vida de Deus, não que a palavra de Deus tenha perdido sua eficácia. Pessoas que não possuem a experiência da cruz e portanto têm falta do espírito da cruz, são incapazes de conceder aos outros a vida da cruz. Como podemos dar a outrem aquilo que nós mesmos não possuímos? A não ser que a cruz se transforme em vida para nós, não podemos conceder essa vida aos outros. O fracasso em nossa obra é devido ao fato de estarmos ansiosos para pregar a cruz sem que essa cruz esteja dentro de nós. Aquele que verdadeiramente sabe pregar deve primeiro ter pregado a palavra para si mesmo. Doutra forma o Espírito Santo não operará por seu intermédio. A palavra da cruz que tantas vezes proclamamos, na realidade não é nossa, mas emprestada — conseguimo-la, pelo poder mental, em livros ou examinando as Escrituras. As pessoas inteligentes e os que estão acostumados a pregar têm, em particular, tendência para esse perigo. Receio que toda sua pesquisa, estudo, leituras, assistência a palestras sobre o mistério da cruz em seus aspectos vários sejam para as outras pessoas e não para si mesmas, em primeiro lugar. Pensar consistentemente nos outros e negligenciar nossa própria vida poderá resultar em fome espiritual! Ao entregar a mensagem, tentamos apresentar o que ouvimos, lemos e pensamos, de uma maneira completa e sincera. Podemos falar tão clara e logicamente que as pessoas no auditório podem pensar compreender tudo. Embora compreendam com o entendimento, não existe aquela força compelidora que os faça procurar o que compreendem. Como se conhecer a teoria da cruz para eles fosse bastante. Por nossa causa, param com o conhecimento da cruz sem prosseguir a fim de obter o que a cruz poderia dar-lhes — isto é, a experiência da cruz. Ou talvez o pregador conheça muito bem a psicologia das massas de forma que fala com eloqüência e sinceridade. Pode até mesmo aconselhar o auditório a não ficar satisfeito com a mera compreensão intelectual do que ouviu mas procurar a experiência.

Entretanto, embora seus ouvintes possam ser despertados temporariamente, falham, não obstante, em receber a vida. O que possuem permanece teoria, não se torna experiência. Que nós, portanto, possamos não estar satisfeitos com nós mesmos, pensando que nossa eloqüência pode dominar o auditório. Embora possam ser estimulados momentaneamente, compreendamos que o que recebem de nós são simplesmente pensamentos e palavras. O fracasso em conceder vida nada contribui em absoluto para a caminhada espiritual do homem. Que proveito há em dar às pessoas somente pensamentos e  palavras? Minha oração é que isto penetre profundamente em nossos corações e nos faça refletir sobre a vaidade de nossas obras anteriores!

Como já vimos, pois, os dois motivos principais por que não concedemos vida enquanto pregamos a cruz são: (1) nós mesmos não possuímos a experiência da cruz, e (2) não pregamos a palavra da cruz no espírito da cruz. Motivo do fracasso das mensagens da cruz Homens e mulheres que não foram crucificados não podem proclamar a palavra da cruz e são indignos de fazê-lo. A cruz que pregamos aos outros deve, primeiro, crucificar-nos. A palavra que pregamos deve, primeiro, queimar-se profundamente em nossa vida de modo que nossa vida seja uma mensagem viva. A cruz que proclamamos não deve ser simplesmente uma mensagem. Devemos permitir que a cruz seja nossa vida diária. Então o que pregamos será mais do que uma simples mensagem: será uma espécie de vida que exibimos diariamente.

Então poderemos conceder essa vida a outros enquanto pregamos.

"Pois a minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida"
(João 6:55).

Quando exercitamos fé a fim de nos nutrirmos da cruz do Senhor Jesus, é como se comêssemos da sua carne e bebêssemos do seu sangue. Em tal exercício espiritual, comer e beber não são meras palavras. Como no reino natural, depois de comermos e bebermos, digerimos o que comemos, de forma que isso se torna parte de nós — isto é, torna-se nossa vida. Nosso fracasso repousa no fato de que demasiadas vezes usamos somente nosso intelecto para examinar Palavra de Deus e somente tomamos com nossa mensagem o que lemos em livros e ouvimos dos pregadores e amigos, e então usamos nossa mente a fim de organizar esse material. Embora tenhamos excelentes pensamentos e tópicos, embora nosso auditório ouça com muita atenção e interesse, nossa obra termina aí, pois somos incapazes de conceder a vida de Deus a eles. A palavra que pregamos é, deveras, a cruz, mas não podemos partilhar a vida da cruz com eles. Tudo o que fizemos foi comunicar-lhes alguns pensamentos e idéias. Não sabemos nós que a necessidade das pessoas não são pensamentos, mas vida?

Vida
Não podemos dar o que não possuímos. Se tudo o que possuímos é pensamento, só podemos
dar pensamentos. Se em nossa vida não possuirmos a experiência da co-morte com Cristo a fim de vencer o pecado e o ego, nem a experiência de tomar a cruz e seguir o Senhor e com ele sofrer; se nosso conhecimento da palavra da cruz é conseguido de livros e das pessoas, conhecimento que nós mesmos não experimentamos, então é certo que não podemos conceder vida; tudo o que podemos fazer é instilar a idéia da vida de cruz na mente das pessoas. Somente quando nós mesmos somos transformados pela cruz e recebemos seu espírito como também sua vida somos capazes de conceder a cruz às outras pessoas. A cruz deve fazer sua obra mais profunda em nossa vida diária para que possamos ter experiências reais de vitória e também de sofrimentos da cruz. Então, ao proclamarmos a mensagem nossa vida propagar-se-á em nossas palavras, e o Espírito Santo pode fazer fluir
sua vida através de nossa vida a fim de saciar a aridez das vidas dos que nos ouvem. Pensamento, palavra, eloqüência e argumento humanos só estimulam a alma humana, pois estes só alcançam o intelecto. Meramente excitam a emoção, a mente e a vontade do homem. 

A vida, entretanto, pode alcançar o espírito do homem; todas as obras do Espírito Santo são realizadas em nosso espírito — isto é, em nosso homem interior (veja Romanos 8:16; Efésios 3:16). À medida que nós, em nossa experiência espiritual, deixarmos fluir nossa vida no espírito, o Espírito Santo enviará sua vida aos espíritos dos outros e fará com que recebam a vida regenerada, a vida mais abundante.

É vão tentarmos salvar pecadores ou edificarmos os santos usando psicologia, eloqüência e teoria. Embora a aparência exterior do que dizemos possa ser bem atraente, sabemos que o
Espírito Santo não opera conosco. Se o Espírito Santo não emprestar sua autoridade e poder
às nossas palavras, os ouvintes não sofrerão mudança alguma em suas vidas. Embora possam, às vezes, tomar uma decisão ou mudar sua vontade, tudo não passa de mera excitação da alma. Por não existir vida em nossas palavras, não há poder a fim de fazer com que os outros recebam o que não possuímos. Ter vida é ter poder. A menos que permitamos que o Espírito Santo emane de nossa vida a fim de alcançar o espírito do homem, as pessoas não podem receber a vida do Espírito Santo e não têm poder algum para pôr em prática o que pregamos.

O que buscamos, portanto, não é persuasão por meio de palavras, mas a vida e o poder do
Espírito Santo. A vida que mencionamos aqui refere-se à Palavra de Deus que experimentamos em nossa caminhada ou à mensagem que experimentamos antes de proclamá-la. A vida de cruz é a vida do Senhor Jesus. Devemos conhecer nossa mensagem pela experiência. O ensino que conhecemos é somente ensino até que permitamos que opere em nossa vida de modo que o ensino que conhecemos se torne parte de nossa experiência e elemento integral de nossa caminhada diária. Então o ensino já não é meramente ensino mas a própria essência de nossa vida — assim como o elemento que comemos tornou-se carne de nossa carne e osso de nossos ossos. Tornamo-nos o ensinamento vivo e a palavra viva; e o que pregamos não é mais simplesmente uma idéia, mas nossa vida real. Este é o significado de "praticantes da palavra" no sentido bíblico.

Muitas vezes compreendemos mal a palavra "fazer". Achamos que significa que depois de ouvirmos e conhecermos a palavra de Deus devemos tentar o melhor que podemos a fim de fazer o que ouvimos e conhecemos. Mas não é esse o significado de "fazer" na Bíblia. É verdade que precisamos desejar fazer o que ouvimos. Entretanto, o "fazer" das Escrituras não é operar mediante nossa própria força, antes, é permitir que o Espírito Santo viva mediante nós a palavra do Senhor que conhecemos. E uma qualidade de vida, não simplesmente um tipo de obras. Quando tivermos a vida, mui naturalmente teremos as obras. Mas produzir algumas obras não pode ser considerado cumprir o "fazer" da Bíblia. Devemos exercitar nossa vontade a fim de cooperar com o Espírito Santo de modo que possamos viver o que conhecemos, assim dando vida aos outros.

Ao olharmos para o Senhor Jesus, aprenderemos a lição. "...assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna" ( João 3:14b,15). "E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer" (João 12:32, 33). É preciso que o Senhor Jesus seja
crucificado antes de atrair todos os homens a si mesmo para que recebam a vida espiritual. Ele mesmo deve morrer primeiro, tendo a experiência da cruz em operação nele, tanto de dentro como de fora, de modo que ele se torna em realidade o crucificado. E assim terá ele o poder de atrair todos a si mesmo. Ora, discípulo algum pode ser maior do que seu mestre. Se nosso Senhor deve ser levantado e crucificado para que todos sejam a ele atraídos, não devemos nós, que levantamos o Cristo crucificado, também ser levantados e crucificados de modo a atrair todos a ele? O Senhor Jesus foi levantado na cruz a fim de dar vida espiritual aos homens; da mesma forma, se desejamos fazer com que as pessoas tenham vida espiritual, nós também devemos ser levantados na cruz para que o Espírito Santo possa fazer com que sua vida flua mediante nós. Uma vez que a fonte da vida procede da cruz, não devem os canais de vida também outorgar vida mediante a cruz?

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Extraído do primeiro capítulo do Livro "O Mensageiro da Cruz" de Wachtman Nee.


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João 15:1

"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador."

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