sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Até Que Ele Venha - J. C. Metcalfe

Bem no centro da adoração cristã está a lembrança constante da conexão que existe entre a Cruz e a Vinda. Na mesa do Senhor olhamos tanto para trás como para frente. Declaramos a nossa confiança na morte do nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário a nosso favor e para nossa salvação e maravilhados ouvimos Suas próprias palavras: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22:20). Então nossos olhos se voltam para a promessa que emocionou o coração do pequeno grupo de discípulos quando Ele foi tomado deles para o alto, para o céu: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1:11).

Em Mateus 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21, temos as próprias palavras do Salvador sobre este grande tema. O Tempo não Está Revelado Encontramos em Mateus 24:36 a afirmação clara: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai”. Houve muito
erro e decepção através dos séculos vindo dos caprichos dos “fixadores de data”, e é significativo que muito do que o Senhor diz aqui sublinha a nossa ignorância sobre os detalhes dos tempos e planos de Deus. Jesus então indica a condição dos homens antes do dilúvio. A vasta maioria não prestou atenção às advertências dadas a eles por aqueles que conheciam e andaram com Deus, como Enoque e Noé. Depois de uma alongada ampliação da misericórdia, o dia predito veio, e aqueles que obedeceram a Deus foram tomados de entre o resto e encerrados na arca. Então o dilúvio do juízo de Deus foi derramado e toda carne, exceto aqueles que estavam na arca, pereceu. Neste ponto sugiro que você pare e leia 2 Pedro 3, observando o quanto um paralelo é traçado entre o dilúvio e a volta do Senhor e o quanto o chamamento para vigiar é realçado. Em seguida, o Senhor Jesus continua mostrando que as mesmas condições do mundo e a mesma separação prevalecerão quando Ele vier novamente. À luz disso, Seu mandamento aos Seus seguidores é “vigiai”, e a razão da necessidade de vigilância é declarada: “Porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24:42).

Professar ou Possuir
O Senhor Jesus coloca tremenda ênfase no perigo de professar em vez de possuir e é mostrada uma separação que acontecerá entre duas classes de pessoas que se encontram dentro das fileiras da cristandade. Não é a conformidade exterior a alguma forma de crença, nem é a observância de
alguns rituais ou cerimônias em especial que fazem de uma pessoa um cristão. É simplesmente por meio da transformação interior ocasionada pelo novo nascimento, realizado pelo Espírito Santo, que uma pessoa é conduzida à união com o Redentor em Sua morte e ressurreição e à posse da vida eterna. “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 Jo 5:12). Este é o claro ensinamento da parábola do joio registrada em Mateus 13. O trigo parece ser indivíduos plantados pelo Salvador no mundo, para produzirem uma colheita para a glória de Deus. O joio são os filhos do diabo plantados por ele para os seus propósitos decaídos na Igreja professa. Lemos sobre a separação final desses dois no dia da Sua volta nestas palavras: “Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade... Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 13:41-43). Esse evento, que é tão certo quanto o amanhecer de amanhã, traz à tona uma nova advertência: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24:42). Isso, por sua vez, é seguido pela ilustração do dono da casa e a chegada inesperada do ladrão, que encerra com a advertência: “Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis” (Mt 24:44).

O Entusiasmo Morto (Mt 24:45-51)
Muitas vezes é corretamente realçado que a vida cristã é essencialmente de serviço. Testemunho,  expansão, vida de Igreja e uma consciência social são todos destacados, e assim deve ser. O cristão não é servo apenas de Jesus Cristo, mas também dos seus conservos. Como Paulo expressou: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos
vossos servos por amor de Jesus” (2 Co 4:5). Então, no capítulo 5, verso 15, dessa mesma carta: “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”. Fomos deixados no mundo para que pudéssemos levar adiante a obra de redenção possibilitada pela Cruz e ressurreição do Senhor Jesus. Nesse ponto, deparamo-nos com um problema. Há um tipo de “serviço” que não é o fruto do amor nascido da união com seu Senhor. Ele tem nele o elemento do autossatisfação que trai a sua natureza e se extingue lentamente quando confrontado com a privação, a demora ou a falta evidente de aprovação do Mestre. Tal serviço é caracterizado pelo fato de que o servo começa a exercer tirania e se satisfazer excessivamente. Ao mesmo tempo vem à memória a palavra de Pedro àqueles que mantêm o ofício de presbíteros: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe 5:2-3). Essa é uma descrição encantadora do serviço cristão escrita por alguém que por si mesmo tinha aprendido algo da humildade em uma posição de liderança. Tal servo, vivendo apenas para cuidar do encargo confiado a ele e aspirando agradar a seu Senhor, tem a esperança da Sua vinda sempre em vista
e anela vê-lO face a face. Vale a pena notar que em Lucas 12:41-48 essa parábola está juntada à precedente do dono da casa e o ladrão pela pergunta de Pedro: “Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos?”, enquanto em Marcos 13:37 se lê: “E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai”. É aos discípulos que foram mais especialmente dirigidas, mas a advertência também é transmitida a nós.

Seria bom sublinhar a inevitável separação final apresentada em nossa parábola. O servo fiel é recebido na plenitude da presença e confiança do Seu Senhor, mas ao servo infiel é dada a sua porção com os hipócritas, aqueles cujo serviço é o de aparência exterior e não de amor (ver Gálatas 6:12-16). A vinda do Senhor certamente dividirá o genuíno do falso entre as fileiras de cristãos
professos.

A Luz que Fracassou
Nunca é correto tentar explicar os detalhes das parábolas muito plenamente. Elas são quadros de eventos que poderiam ser de fato vistos na vida diária naquele tempo. É a lição essencial que devemos buscar. Aqui está um quadro de natureza quase semelhante à daquele do trigo e do joio. Os dois grupos de virgens têm muito em comum e, contudo, logo no princípio o elemento de separação é evidente. É a aproximação do Noivo que repentina e dramaticamente traz à tona as diferenças entre elas. As sábias têm óleo suficiente para suas lâmpadas, as loucas não têm. Há diferentes interpretações para o significado do óleo. “O óleo geralmente parece significar a perfeição da vida cristã ou a prontidão para a vinda do Senhor.” Outros aceitam a visão de que o óleo é símbolo do Espírito Santo. Se reconhecermos que não pode haver nenhum crescimento ou maturidade na vida cristã, nenhuma compreensão da Palavra de Deus e dos Seus caminhos, nenhuma graça para sofrer ou poder para testemunhar, à parte da habitação e enchimento do Espírito, há pouca verdadeira diferença entre tais opiniões.

O Espírito Santo opera sobre e em nós para nos mostrar a grandeza da nossa necessidade e para preparar o caminho do Senhor em nosso coração (Ef 3:16-17), mas a nossa parte é aprender d'Ele e aproveitar toda oportunidade de cooperar com Ele quando Ele procura formar Cristo dentro de nós. Nunca devemos nos esquecer de que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal
não é dele” (Rm 8:9) e devemos ter em vista os abençoados resultados da Sua habitação interior, dada mais à frente no mesmo capítulo: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus... mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus... herdeiros também, herdeiros de Deus, e coerdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (vv. 14-17). Observe a capacidade para a paciência no sofrimento mais uma vez sublinhada e a premiada visão da vinda, que coroa a glória. O chamamento para despertar veio a todas elas quando dormiam, mas ele encontrou as loucas sem poder necessário para responder. Vemos que elas tentam emprestar óleo, mas isso é impossível, e esta é uma lição que poucos parecem ter dominado. É muito mais fácil se voltar a outros, confiar em pregadores ou conselheiros e tomar o que eles dizem sem jamais buscar nossos recursos diretamente de Deus ou aprender a tratar com Ele. Deus é ciumento das Suas prerrogativas, e o Seu chamamento hoje ainda é: “Vinde a mim... tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim... e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11:28-30).

Na vinda do Noivo a lei da separação é novamente vista em plena operação. “As [virgens] que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (v. 10). Então nos é mostrada a dor febril das loucas – e quão forçada, intensa e febril é a maior parte da nossa resposta moderna à vida cristã – “Senhor, Senhor, abre-nos!”, como se o lugar da comunhão com Ele não fosse sempre o Seu amoroso propósito para elas! Mas agora a resposta é dura em sua finalidade: “Em verdade vos digo que vos não conheço” (Mt 25:1-13 ‒ ver também Mateus 7:23).

A aplicação final deve atingir todos nós: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (v. 13). Possuir a vida eterna é viver à luz da eternidade, não ser governado pelo material e visível. “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia... não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Co 4:16-18). A vida interior iluminada pela Sua presença dia após dia pode ser a nossa única garantia de pertencermos à família e de nossa prontidão para ir para casa. Isso não é mais uma vez um chamamento para a vigilância e para se assegurar da realidade da nossa confissão cristã? O Senhor voltará no tempo marcado. Deixe esse pensamento penetrar em seu coração. O caráter na terra

comprovará uma posse eterna no mundo por vir, pois com o mesmo coração que os homens morrem, com esse coração eles ressuscitarão. “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24:42). Possamos nós ser encontrados naquele dia entre aqueles “que amam a sua vinda” (2 Tm 4:8).


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João 15:1

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