quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O Derramamento do Espírito - Andrew Murray

Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. Todos ficaram cheios o Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.
Atos 2:1,4



A obra de Cristo culmina no derramamento do Espírito Santo. O impressionante mistério da encarnação em Belém, a grande redenção conquistada no Calvário, a revelação de Cristo como o Filho de Deus no poder da vida eterna através da ressurreição, Sua entrada na glória pela ascensão – estes são apenas estágios preliminares; seu objetivo e coroação foi a vinda do Espírito Santo. O dia havia chegado em plenitude. O Pentecostes é a última e a maior das festas cristãs; nele as outras encontram seu cumprimento e realização. É porque a igreja pouco reconheceu isto e porque não viu a glória do Pentecostes como a maior glória do Pai e do Filho que o Espírito Santo não pôde revelar e glorificar plenamente o Filho nela. Examinemos o que significa o Pentecostes. Deus fez o homem à Sua própria imagem e de acordo com Sua semelhança, com o propósito de que se tornasse semelhante a Ele. O homem deveria ser o templo da habitação de Deus; ele deveria ser a casa do descanso de Deus. A união mais próxima e íntima, a habitação de amor, era o que O Santo ansiava. O que foi anunciado apenas em tipo, inadequadamente, no templo em Israel, se tornou divina realidade em Jesus de Nazaré. Deus encontrou um homem em quem Ele pudesse repousar; cujo ser estava totalmente aberto ao governo de Sua vontade e à comunhão de Seu amor. Nele havia a natureza humana tomada pelo Espírito divino; Deus desejava que todos os homens fossem assim. E assim será com todos aqueles que aceitarem a Jesus como sua vida. Sua morte removeu a maldição e o poder do pecado e lhes tornou possível receber o Seu Espírito. Sua ressurreição foi a entrada da natureza humana, livre de todas as fraquezas da carne, na vida divina do Espírito. Sua ascensão foi a admissão como homem na própria glória de Deus, a participação da natureza humana na perfeita comunhão com Deus em glória na unidade do Espírito. E, ainda com tudo isso, a obra não estava completa. O elemento primário ainda faltava. Como o Pai poderia habitar no homem assim como habitou em Cristo? Esta era a pergunta para a qual o Pentecostes deu a resposta.

Das profundezas da mente do Pai, o Espírito é apresentado em um novo aspecto e um novo poder, como nunca havia sido antes. Na criação e na natureza, Ele surge da parte de Deus como o Espírito da vida. Na criação do homem, particularmente, Ele agiu como o poder no qual a semelhança de Deus se fundamentava, e mesmo depois da queda ainda testificava de Deus. Em Israel Ele apareceu como o Espírito da teocracia, inspirando e equipando distintivamente certos homens para suas missões. Em Jesus Cristo Ele veio como o Espírito do Pai, dado a Ele sem medida - e habitando Nele. Todas estas são manifestações, em diferentes graus, de um único e o mesmo Espírito. Mas agora veio a última, há tempos prometida, inteiramente nova manifestação do Espírito divino. O Espírito que habitou em Jesus Cristo, e em Sua vida de obediência levou Seu espírito humano à perfeita comunhão e unidade consigo mesmo, é agora o Espírito do Deus-homem exaltado. Quando o homem Cristo Jesus entra na glória de Deus e na plena comunhão da vida do Espírito na qual Deus habita, Ele recebe do Pai o direito de enviar Seu Espírito aos Seus discípulos, isto é, descer Ele mesmo em Espírito e habitar neles. O Espírito vem em um novo poder, o que não era possível antes porque Jesus não havia ainda sido crucificado nem glorificado. Ele vem como o próprio Espírito de Jesus glorificado. A obra do Filho, o anseio do Pai, recebe o seu cumprimento. O coração do homem se torna a casa de Deus.

Eu disse que o Pentecostes é a maior das festas da igreja. O mistério de Belém é, de fato, incompreensível e glorioso, mas quando eu creio nele, não há nada que pareça impossível. Que um corpo puro e santo seja formado para o Filho de Deus pelo poder do Espírito Santo, e que nesse corpo o Espírito habite, é de fato um milagre do poder divino. Mas que este mesmo Espírito agora venha e habite nos corpos de homens pecadores, e que neles também o Pai faça Sua residência, é um mistério de graça que ultrapassa todo entendimento. Mas essa é a bênção que o Pentecostes traz e recebe. A entrada do Filho de Deus na semelhança da nossa carne em Belém, na maldição e morte do pecado em nosso lugar, na natureza humana como o primogênito dos mortos no poder da vida eterna, e Sua entrada na própria glória do Pai – esses foram apenas os passos preparatórios: esta é a consumação para a qual todo o resto foi realizado. A promessa agora começa a ser cumprida: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.” (Apocalipse 21:3).

É somente na luz de tudo o que precedeu o Pentecostes –do grande sacrifício que Deus não considerou grande demais para que pudesse habitar com homens pecadores – que a narrativa do derramamento do Espírito pode ser entendida. Ela é o reflexo terreno da exaltação de Cristo no céu, a participação que Ele dá a Seus amigos da glória que Ele agora tem com o Pai. Para ser entendida plenamente, precisamos de uma iluminação espiritual. Na história que é contada tão simplesmente, os mais profundos mistérios do reino são desvendados, e a escritura de propriedade deles é dada à igreja como sua santa herança até o retorno do seu Senhor. O que o Espírito deve ser para os crentes e para a igreja, para os ministros da Palavra e sua obra, e para o mundo descrente, são as três ênfases principais.

Primeiro, Cristo prometeu aos Seus discípulos que no Ajudador (o Consolador) Ele viria novamente para eles. Durante Sua vida terrena, Sua presença pessoal manifesta, revelando o Pai invisível, era a dádiva do Pai aos homens – aquilo pelo que os discípulos ansiavam e necessitavam. Esta seria a porção deles em mais poder do que antes. Cristo entrou na glória com este propósito, de - agora de uma maneira divina - “preencher todas as coisas”, particularmente os membros do Seu corpo, com Sua vida glorificada. Quando o Espírito Santo veio, Ele veio como uma vida pessoal dentro deles. Anteriormente Ele era uma vida separada deles, fora de sua vida natural. O próprio Espírito do Filho de Deus, como viveu e amou, obedeceu e morreu, ascendeu e foi glorificado e agora se tornaria uma vida vibrante dentro deles. Da maravilhosa transação que aconteceu no céu, na colocação de seu Senhor no trono do céu, o Espírito Santo veio para ser testemunha, para comunicá-la e mantê-la com eles como uma realidade celestial. De fato não é de se admirar que quando o Espírito Santo veio do Pai através do Filho glorificado, toda a natureza deles foi preenchida até transbordar com o gozo e poder do céu, com a presença de Jesus, e seus lábios exultaram em louvor das maravilhosas obras de Deus.

Assim foi o nascimento da igreja de Cristo e assim também deveria ser seu crescimento e fortalecimento. O primeiro elemento da sucessão da igreja no Pentecostes são os membros batizados com o Espírito Santo e fogo –cada coração preenchido com a experiência da presença do Senhor glorificado, cada língua e vida testemunhando da maravilhosa obra que Deus fez ao levantar Jesus à glória e então preencher Seus discípulos com essa mesma glória. Não é tanto o batismo de poder para nossos pregadores que buscamos; ao invés disso, é que cada membro do corpo de Cristo possa conhecer, possuir e testemunhar da presença de Cristo que habita neles através do Espírito Santo. Isso é o que atrairá a atenção do mundo e compungir à confissão do poder de Jesus.

Segundo, foi pelo interesse e pelos questionamentos que foi despertada a visão desta regozijante e adoradora comitiva de crentes, na multidão para que Pedro se levantou e pregou. A história do Pentecostes nos ensina a verdadeira posição do ministério e o segredo do seu poder. Uma igreja cheia do Espírito Santo é o poder de Deus para despertar os despreocupados e atrair os corações honestos e desejosos. É para essa audiência –despertada pelo testemunho dos crentes – que a pregação virá com poder. É de uma igreja de homens e mulheres cheios do Espírito Santo que surgirão pregadores guiados pelo Espírito, ousados e livres, para falar a cada crente como testemunha viva da verdade de sua pregação e do poder de seu Senhor.

A pregação de Pedro é um evidente exemplo do que são todas as pregações do Espírito Santo. Ele prega o Cristo das Escrituras. Em contraste com os pensamentos dos homens, que rejeitaram a Cristo, Ele apresenta os pensamentos de Deus, que enviou a Cristo, se deleitou Nele, e agora O exaltou à Sua destra. Toda pregação no poder do Espírito Santo fará o mesmo. O Espírito é o Espírito de Cristo, o Espírito de Sua vida pessoal, tomando posse de nossa personalidade e testemunhando com o nosso espírito daquilo que Cristo conquistou para nós. O Espírito veio com o propósito de continuar a obra que Cristo começou na terra, de tornar os homens participantes de Sua redenção e Sua vida. Não poderia ser de forma diferente; o Espírito sempre testemunha de Cristo. Ele assim o fez nas escrituras; Ele assim o faz nos crentes; o testemunho do crente será sempre de acordo com a Escritura. O Espírito em Cristo, o Espírito nas Escrituras, o Espírito na igreja; enquanto este triplo cordão estiver entrelaçado, ele não poderá ser quebrado.

Terceiro, o efeito desta pregação foi algo maravilhoso, mas não mais do que se esperava. A presença e poder de Jesus eram uma realidade na companhia dos discípulos. O poder do trono encheu a Pedro. A visão que ele teve de Cristo exaltado à destra de Deus foi tão espiritualmente real que o poder emanou dele. Quando a pregação atingiu seu cerne: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36), milhares se curvaram em quebrantamento de espírito, prontos para reconhecer o crucificado como seu Senhor e Salvador. O Espírito veio aos discípulos e através deles convenceu os ouvintes de sua descrença. Os inquiridores penitentes ouviram o comando para se arrepender e crer, e receberam o dom do Espírito Santo. As maiores obras que Cristo prometeu fazer através dos discípulos, Ele fez. Em um momento, o preconceito de uma vida e o ódio amargo deram caminho à rendição, amor e adoração. Do Senhor glorificado, o poder encheu a Pedro, e dele esse poder saiu para subjugar o pecado e salvar o pecador.

O Pentecostes é o glorioso amanhecer “daquele dia”, o primeiro “daqueles dias” de que os profetas e nosso Senhor tão freqüentemente falaram, a promessa e penhor do que a história da igreja deveria ser. Admite-se universalmente que a igreja está aquém de cumprir seu destino, que mesmo agora, depois de vinte séculos, ela não ascendeu à altura de seus gloriosos privilégios. Mesmo quando ela luta para aceitar seu chamado, testemunhar de seu Senhor até os confins da terra, ela não o faz na fé do Espírito do Pentecostes e na posse de Seu poder. Ao invés de considerar o Pentecostes como um amanhecer, ela muito freqüentemente fala e age como se ele fosse o meio-dia, a partir do qual a luz logo começa a esmaecer. Se a igreja retornar ao Pentecostes, o Pentecostes retornará a ela. O Espírito de Deus não pode tomar posse dos crentes além de sua capacidade de recebê-Lo. A promessa está esperando; o Espírito está disponível em toda a Sua plenitude. Nossa capacidade precisa ser aumentada. Enquanto os crentes continuarem em um único acordo em louvor, amor e oração, se agarrando à promessa em fé, e olhando fixamente para o Senhor exaltado na confiança de que Ele Se fará conhecer em poder no meio de Seu povo, então virá - aos pés do trono - o Pentecostes. Jesus Cristo é ainda o Senhor de todos, coroado com poder e glória. Seu anseio de revelar Sua presença em Seus discípulos – fazê-los compartilhar a vida gloriosa em que Ele habita – é tão fresco e pleno como quando Ele primeiro ascendeu ao trono. Tomemos nosso lugar aos pés do trono. Rendamo-nos em expectativa de fé para sermos preenchidos com o Espírito Santo e testificar Dele. Que o Cristo que em nós habita seja nossa vida, nossa força, nosso testemunho. De tal igreja, líderes preenchidos com o Espírito se levantarão com o poder que fará os inimigos de Cristo se curvarem aos Seus pés.




Ó Senhor Deus, adoramos perante o trono no qual o Filho 
está assentado Contigo, coroado com glória e honra. 
Agradecemos e bendizemos-Te porque Aquele em quem 
Te deleitas pertence tanto à terra quanto ao céu, tanto a 
nós quanto a Ti. Ó Deus, Te adoramos; louvamos Teu 
santo nome.

Pedimos-Te que reveles a Tua igreja que nosso bendito 
Cabeça nos considera Seu próprio corpo, compartilhando 
com Ele em Sua vida, Seu poder e Sua glória; e que o 
Espírito Santo, como portador dessa vida e poder, espera 
para revelar isso em nós. Ó, que o Teu povo seja 
despertado para conhecer o que significa o Espírito Santo: 
a verdadeira presença do Senhor glorificado em nosso 
interior, como revestimento de poder do alto para a obra 
na terra. Que todo o Teu povo aprenda a olhar 
atentamente para seu Rei exaltado até que todo o seu ser 
seja dado a Ele e que Seu Espírito os preencha 
completamente.

Pai, nosso apelo, em nome de Jesus, é que reavives a Tua 
igreja. Torne cada crente um templo do Espírito Santo. 
Torne cada igreja – seus membros crentes – uma comitiva 
consagrada que testifica de um Cristo presente; 
esperando sempre pela plenitude do poder do alto. Torne 
cada pregador da Palavra um ministro do Espírito. Que o 
Pentecostes em toda a terra seja o sinal de que Jesus 
reina, que os redimidos são o Seu corpo, que Seu Espírito trabalha,
e que um dia todo joelho se dobrará perante Ele. 
Amém.



Sumário



1. Quando Jesus retornou ao céu, Ele não suportaria a idéia de que Seu retorno à glória poderia causar a menor separação entre Ele e Seus fiéis seguidores. A missão do Espírito era assegurar e dar a eles Sua presença prometida. Essa é a bênção da obra do Espírito; isso O trona o poder de Deus em nós para o serviço.

2. A perfeita saúde de um corpo significa a saúde de cada membro. A obra saudável do Espírito na igreja requer a saúde de cada crente. Oremos para este fim, de que a presença de Cristo, pelo Espírito de habitação em cada crente, irá tornar nossos tempos de adoração uma repetição do Pentecostes: a comitiva, que espera e adora receptiva na terra e se encontra com o Espírito de Cristo dos céus.



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Trecho do livro "O Espírito de Habitação" de Andrew Murray.

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João 15:1

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